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Breve Contexto Histórico da REBIA

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Cursos Vivência Voluntários Ambientais Univerde Defensores da Terra

Antecedentes

O Jornalismo Ambiental ou Ecojornalismo tem seu marco firmado em 1968, quando profissionais da imprensa, ocupados com a questão ambiental, reuniram-se em Paris durante a Conferência da Biosfera. Nessa mesma época foi preso aqui no Brasil, pela Operação Bandeirantes, o jornalista Randau Marques, considerado o primeiro profissional da imprensa brasileira especializado em meio ambiente. Foi taxado de subversivo pelo conjunto de reportagens sobre contaminação ambiental com chumbo no Município de Franca - SP, berço dos curtumes. Em seu trabalho, abordou ainda a questão dos defensivos agrícolas, seus perigos e contaminações ao meio ambiente e à população em geral.

As informações sobre os grandes acidentes ambientais ocorridos no mundo foram determinantes para a formação de uma opinião pública sensível à questão ambiental. Segundo o Major Hazard Incident Data Service, da Grã-Bretanha, até 1986 ocorreram 2.500 acidentes industriais no mundo, sendo que mais da metade (1.419) em apenas cinco anos, entre 1981 e 1986. Já os grandes acidentes ambientais, que envolveram maior número de mortes e milhões de dólares de indenização, num total de 233 acidentes, ocorreram no curto período entre 1970 e 1989. A divulgação em escala mundial destes fatos não só contribuiu para sensibilizar a opinião pública, mas também para fortalecer os movimentos ambientalistas, que se multiplicaram nesse período, além de gerar um conjunto de leis ambientais e de órgãos de controle que não existiam antes de 1970.

As reportagens e notícias ambientais veiculadas na mídia ambiental são, por natureza, contestatórias em alguns casos, e não podem ignorar as questões sociais. Por isso, interesses diversos, mas principalmente econômicos, que envolvem os setores públicos e privados, costumam criar dificuldades que assegurem o acesso desses veículos de informação, a planos de mídia e à continuidade e regularidade de seus serviços. Mas colocar questões ambientais nos debates políticos e dar voz às ONGs ambientalistas, divulgando seus trabalhos e conquistas, é um dos papéis do Jornalismo Ambiental, que apesar de encontrar dificuldades de recursos e linhas de financiamento específicas para o setor, tem papel fundamental para a democratização da informação junto à sociedade.

A história da REBIA esteve inicialmente ligada à carreira do seu fundador, ambientalista, escritor e jornalista Vilmar Sidnei Demamam Berna, cuja luta recebeu vários prêmios e reconhecimentos, destacando-se, em 1999, o Prêmio Global 500 da ONU Para o Meio Ambiente e, em 2003, o Prêmio Verde das Américas. Esta trajetória teve início ainda no Rio Grande do Sul, quando Vilmar com apenas 16 anos, já se insurgia contra a prática da caça no colégio interno onde vivia, o que resultou em conflitos com a Direção. Dois anos depois Vilmar mudou para o estado do Rio de Janeiro, fixando residência em São Gonçalo, município da região metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. Em janeiro de 1982, uniu-se a outros companheiros e fundou a organização não-governamental UNIVERDE, com a proposta de conscientizar a sociedade para a urgência e a importância da cidadania ambiental ativa e participativa como solução para os problemas ambientais. Iniciava aí o embrião da futura REBIA, que surge como uma conseqüência de uma militância ambientalista e não de alguma estratégia comercial.

Na ocasião, era um enorme desafio fazer o discurso e a luta ambiental dada as condições de extrema carência da população. Os ambientalistas enfrentaram o desafio, não só lutando sozinhos, como ainda tendo de enfrentarem adversários tanto à direita, no meio empresarial, quanto à esquerda, nos movimentos populares. Na ocasião, as correntes políticas à direita consideravam o discurso ambientalista inoportuno, pois o viam como inimigo do progresso. As forças políticas à esquerda, por sua vez, também rejeitavam o discurso ambiental por julgarem inoportuno por desmobilizar as massas do enfrentamento do Capitalismo. Só muitos anos depois as forças políticas tanto à direita quanto à esquerda veriam os equívocos de seu pensamento, pois o progresso não pressupõe a destruição ambiental. Caso contrário, nos lugares onde o meio ambiente foi mais agredido deveria haver mais progresso, e isso não era verdadeiro. E as forças à esquerda também perceberam que os mais afetados pela poluição e a degradação ambiental eram os próprios trabalhadores no ambiente das fábricas e as comunidades próximas delas.

Os ambientalistas usaram como estratégia desde o início ter a mídia como parceira para mostrar as agressões ambientais, cobrar responsabilidade das autoridades ao mesmo tempo em que contribuir para aumentar a conscientizar a sociedade para a importância e a urgência das causas ambientais. A estratégia dos ambientalistas de buscar os meios de comunicação, somadas à divulgação dos grandes acidentes ambientais ocorridos no mundo foram determinantes para a formação de uma opinião pública sensível à questão ambiental, isso não só contribuiu para sensibilizar a opinião pública, mas também para fortalecer os movimentos ambientalistas, que se multiplicaram nesse período, além de gerar um conjunto de leis ambientais e de órgãos de controle que não existiam antes de 1970. Para isso, os ambientalistas também tiveram de enfrentar o desafio de adequar o discurso ambiental às carências da sociedade, mostrando que o ser humano também faz parte da natureza.

Em janeiro de 1984, aconteceu a fundação, na Cidade do Rio de Janeiro, da organização não-governamental Defensores da Terra. Sob a presidência do Vilmar, os Defensores da Terra passou a atuar mais intensamente levando pautas para a mídia através de suas campanhas para tirar as unidades de conservação do papel, em defesa dos rios e lagoas, entre outras, e que resultou na maior conscientização da sociedade para as causas ambientais, tendo por conseqüência, entre outras, no aumento da pressão junto às autoridades, parlamentares que passaram a incorporar a questão ambiental em suas atividades. Aos poucos a tema ambiental passou a fazer parte com cada vez mais freqüência da pauta dos veículos, levando o tema ambiental a ganhar cada vez mais importância junto à sociedade e à imprensa.

Em agosto de 1989, foi realizado em São Paulo o Seminário "A Imprensa e o Planeta", promovido pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão e pela Associação Nacional de Jornais. Três meses depois, aconteceu o encontro mais importante para o jornalismo ambiental brasileiro: o seminário da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). A partir do seminário da FENAJ, realizado em Brasília, formaram-se núcleos regionais de jornalismo ambiental em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, com o objetivo de criar uma entidade nacional de jornalismo ambiental. No entanto, sobrou apenas o grupo gaúcho. O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ/RS) que nasceu dentro do movimento ambientalista, no dia 22 de junho de 1990, num debate com o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, filósofo Celso Marques, e o presidente da União Protetora do Ambiente Natural, jornalista Carlos Aveline.

A criação de uma rede de jornalistas de meio ambiente foi uma das decisões do Encontro Internacional de Imprensa, Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizado entre 20 e 24 de maio de 1992 em Belo Horizonte. Batizado de Green Press, este encontro estava na agenda oficial da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92.

 

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